Hoje acordei, parecia que não abria os olhos fazia tempo, achei estranho, estava sentindo pingos de chuva em meu corpo todo. Foi quando vi que estava descoberto, acordei no meio do nada e lá fiquei, sentindo a sensação dos pingos na minha pele azulada, que a cada contato com a mesma pareciam congelá-la e me revestir de uma nova camada de vontade, vida, esperança, forças para voltar a caminhar.
Tão logo que senti firmeza, saí de onde estava e comecei a caminhar na imensidão do vazio, só eu, a chuva e o vazio preenchido. Tentei me conter, mas não consegui e rapidamente comecei a deixar o pensamento fluir para longe, eu não estava mais em lugar algum, sem sentimentos, apenas aquele momento. As vias do pensamento eram guiadas pela fluidez que a chuva lhes permitia, e eu mudava de humor e vontades assim que a chuva engrossava ou diminuia.
Minha pele a este momento já estava reconstituida, mas já começava a se desprender de mim mais uma vez, enquanto eu pensava, refletia sobre notas distorcidas e vontades minhas, antigas, novas, vontades. Era eu, naquele momento era eu, me senti verdadeiro comigo mesmo, tão logo me senti eu, não mudara nem sequer um cilio do que sempre fui, porém, era eu alí de um jeito que nunca tinha me sentido eu.
Hoje em dia, me vejo mais como eu do que qualquer um possa me ver como seu, não sei exatamente ao que devo isto, mas devo muito. Não me agrada não ser o que sou, não me convém dizer mentiras para disfarçar o que inventei para dizer que foi o que restou, nada restou, pois em nada mudei, não sou nenhuma metamorfose ambulante e mesmo se fosse, lutaria para continuar sendo o que era, uma metaforse.
Me corrompa, me transforme no que quiser, instale suas cordas em meus membros, faça-me dançar a musica que lhe agrada e fazer a vontade que lhe convém. Mas estes são desejos e vontades forçadas e frágeis, por isso eu os quebro, os coloco do avesso e os transformo em sangue, em destorção, em preto e branco, em ódio, em amargura espirrando da minha boca, um liquido negro refletido na luz da lua. Eu sou eu... rei dos reis, rei do mundo, das minhas vontades rei de mim, rei do meu reino e desse reinado sou eu que vou forca.