Ao tempo que me perco no mundo, me perco entre minhas frases e meus paragrafos, começo a escrever o que escuto nas musicas e nada mais faz sentido. Procuro em meus próprios textos, mensagens para mim mesmo, vindas de meu alfandróide, meu criador.
Penso que o mesmo me abandonou e há tempos não choro como hoje chorei, há tempo não bebo como hoje bebi, há tempos não me drogo como hoje estou me drogando. Cansei de procurar quem não está atrás de mim, como acha que me sinto? Eu me sinto desprezado seu idiota, meu criador perfeito não quer saber de mim, me abandonou em mim mesmo em outro mundo! Eu o odeio, mas o amo, estou atrás dele, alguém o busque pra mim! Eu preciso dele! EU PRECISO, EU PRECISO!!!!
Rabiscava a folha, as frases, a parede, o ódio, a fraqueza, o medo, a vontade, o sexo, as drogas, a musica, a minha voz , meus cabelos, minha pele, meu olho, meu grito.
...A primeira vista foi magnifica, me vi como um anjo. Era apenas uma bolha, frágil, mas por dentro estava revestido de matéria forte, um casulo, uma capsula e logo que tive a chance adentrei a bolha, e engoli meu criador como um comprimido, para a minha doença, para minha imperfeição e simplesmente apaguei.
Acordei e ainda estava dentro da bolha, havia uma capsula me envolvendo e a matéria viva. Me concentrei para descobrir o que eu era, onde destava, e para achar meu lugar. Ainda não me encontrava onde lembrava de estar antes. Fechei os olhos e me vi escrevendo no ar as minhas lembranças, logo vi que eu cortava o ar e as palavras tinham cor de sangue, e escorriam nas paredes da minha mente.
Não sabia ao certo o que fazer, não sabia ao certo o que finalmente deveria fazer para me transportar aonde eu queria me encontrar. Fechei os olhos mais uma vez e finalmente pude ver tudo que sonhei, minha solidão compartilhada com meus unicos amigos alfandróides, ratos experimentais, ou ratos experiente em experiencias de experimentos falhos. Eramos comuns uns aos outros e me alegrei ao me achar em casa.
Logo, em pouco tempo as coisas foram mudando, eu estava sendo excluido de tudo e de todos, não me sentia mais ligado a nenhum dos meus amigos, me sentia distante de meus propósitos, será que havia achado mais uma nova ambição? Não conseguia mais me concentrar em mim mesmo, meu mundo estava caindo aos pedaços e todos cruzavam os braços, ninguem tentou salvar meu sonho.
Um dia fui pego de surpresa por um escombro enquanto eu meditava, e assim acordei...
Desde jovem eu sonho. Mofei, esperando o tempo se retrosceder em suas entranhas e rasgar seu próprio peito, corrompendo as artérias, entupindo seu coração de si mesmo e se enchendo do meu mundo e do meu viver. Nada retroscedeu...
Me sinto confuso, anestesiado, girando em minha mente, procurando o meu norte enquanto a noite se torna alegria e o dia em um embaraço turvo. Tenho me imaginado mais do que me olhado no espelho e ultimamente, tenho procurado mais o que venho procurando a vida toda, mas eu não consigo mais nem olhar ao redor, meus olhos não conseguem nem me achar mais.
Entorpecido, nem respirando eu me sinto bem, é vasto o que penso e o que sinto, sinto medo de saber o que são sentimentos mas não saber senti-los. Sinto-me frio, mas sempre fui reservado, olhando o céu sozinho, muito tempo para mim mesmo e para reflexão sobre tudo que nos é dado ou tirado. É dificil repartir o momento, já que nada há para ser dito, gostaria muito de verdade de me transmitir por pensamentos, não é fácil entender o que não se pode alcançar.
Tomei uma pilula, para me tornar a pilula e me tornar meu criador... sem criador não há criatura, pari de mim mesmo minha morte, minha sentença...
MEU ROCK'N ROLL PSICODELICO! MINHA DROGA PESSOAL! Era eu, o tempo todo... era eu! Não fui nada, fui um erro, uma sintese de um suicidio, um erro de uma programação falha!
Fui eu... fui cria e criador!