sábado, 12 de dezembro de 2009

Parte 1: Introdução

Me sinto confuso, anestesiado, girando em minha mente, procurando o meu norte enquanto a noite se torna alegria e o dia em um embaraço turvo. Tenho me imaginado mais do que me olhado no espelho e ultimamente, tenho procurado mais o que venho procurando a vida toda, mas eu não consigo mais nem olhar ao redor, meus olhos não conseguem nem me achar mais.
Entorpecido, nem respirando eu me sinto bem, é vasto o que penso e o que sinto, sinto medo de saber o que são sentimentos mas não saber senti-los. Sinto-me frio, mas sempre fui reservado, olhando o céu sozinho, muito tempo para mim mesmo e para reflexão sobre tudo que nos é dado ou tirado. É dificil repartir o momento, já que nada há para ser dito, gostaria muito de verdade de me transmitir por pensamentos, não é fácil entender o que não se pode alcançar.
Sei que estou aqui, ao seu lado, mas de fato eu não estou em lugar algum... estou girando em um fundo branco embassado dentro dos pensamentos grandiosos de pequena mesura. Importa afinal saber tudo sobre o que penso ou desejo? Não me vejo, ninguém me ve, atravessando a rua, esperando o sinal verde, esperando a fila, esperando as pessoas lentas sairem da frente, esperando, esperando, esperando, ninguém me ve na espera?
Eu ando cansado, de ser desnorteado de tudo, mas toda vez que tento me concentrar ao meu redor as coisas mudam de facetas, e eu me sinto tão confuso e tão errado. Eu ando me escondendo desse mundo estranho, com as mãos cubro a mim mesmo, e com meu casulo, minha casca impenetrável me suporto dentro de mim.
Aprecio tanto o meu desligamento, me acho tão diferente e tão unico, porque querer tirar isso de mim? Devo parecer alguém ou um padrão? Ando conversando com meus pés, sobre terras distantes a milhas daqui.

-"é para lá que vamos" - Diz meus pés em festa, quando na verdade não contraem um musculo sequer, eu apenas fecho meus olhos e contorno a linha do horizonte com escuridão e pensamento.

"A Introspecção é o ato pelo qual o sujeito observa os conteúdos de seus próprios estados mentais, tomando consciência dos mesmos. Dentre os possíveis conteúdos mentais passíveis de introspecção, destacam-se as crenças, as imagens mentais (sejam visuais, auditivas, olfativas, sonoras, tácteis), as intenções, as emoções e o conteúdo do pensamento em geral (conceitos, raciocínios, associações de idéias)."

Eu sou uma introspecção ambulante, eu tomo consciencia de mim e do MEU mundo com perfeição, mas não me peça para entender os outros, esses são fáceis demais. Não me dê dor de cabeça, faça uma prece e me ponha na lista de espera.
Desconfio, devo lhes dizer, (quem quer que seja que leia esse texto) que me sinto um protótipo de algo maior, talvez a humanidade toda o seja, talvez eu esteja na faixa alfa e o resto na beta.Não sei exato, mas invento minhas regras e meu mundo, sou autoridade dentro de mim, sou eu comandando meu eu, que comanda o meu ego, que comanda o resto de mim, que conjuga o meu ou eu em qualquer situação de risco.
Não pretendo mudar, eu quero continuar sendo do meu jeito, se me amo assim, porque mudar? Se tantos me amam assim? Eu não sei, não tenho muitos amigos, mas os que tenho são verdadeiros "alfandróides" os chamarei durante o resto do tempo. Somos talvez o nada que falta no tudo da presente data, somos talvez a lentidão da pressa e o susto. Somos aqueles que não ligam! Não ligamos a TV, mandamos o que nos contradiz se fuder, e não é por arrogancia, não, longe de nós, batemos no peito e dizemos, somos o que somos.
Alfandróides, crianças estranhas, cada uma em seu mundo, mas conectadas fortemente por uma linha tênue, nos transmitimos pela confiança do amor de um por outro e pela falta da necessidade de palavras e atos, somos todos ratos infiltrados no pensamento de nós mesmos.
Sou um dos poucos alfandróides que saíram de seus casulos, devo dizer que me escondi nas sombras dos dias chuvosos, quieto. Foi tudo tão estranho, tudo tão diferente, eu tentava achar a calma e a confiança da falta de palavras e atos, mas não achei, mas me achei sem amigos para me levantarem e acabei enviando um pedido de socorro pelas minhas mãos espacionaves.
Tão vulnerável, pele macia, de peito aberto, eu me tornei um indigente de poucas palavras e poucos atos, me arrastei pelas ruas, pelas calçadas, atrás de uma sarjeta, uma saída para um subterrâneo, para a calmaria e minha tão sonhada vida.