Ando me levando além do que pensei que podia ir, ando me elevando enquanto deito e durmo, sonhando aos poucos chego mais perto do meu balão imaginário com os pés fora do chão. Descobri que posso ser o que todos são, aos poucos melhor que jámais serei e muito menos do que todos serão, descobri que para ficar extressado não precisam-se de muitos motivos, mas para assumir um erro, precisam-se de muitas palavras e consciência. Vim pensando, de lá pra cá se o que tenho em oferta valhe mais do que vendo e o que vendo valhe mais do que oferto.
De fato não é simples entender quando ainda se está no inicio, na largada, na linha de saída que é a mesma da de chegada, porém é um pouco mais em outro plano. Aprendi que o real estimula o ideal, numa relação de mais valia na qual valia mais pra mim sonhar do que realizar, assim realizei que o real é muito mais baseado em sonho dos que sonharam para realizar o concreto. É assim, a vida não pede nenhuma ajuda, muito menos cedeu alguma, mas ela puxa, ela esperneia, pois quer sempre mais, quer desejar muito mais, quer lhe levar para muito além do que se pode imaginar.
Se existem várias possibilidades, porque, porque se deter a poucos planos e poucas idéias? Porque se deter ao básico, quando o complexo está na sua mão, na sua frente, esperando, gritando, expelindo seus orgãos vitais, esperando evaporar-se para talvez virar um vírus infectante para as massas. Não me detenho mais a mim, nem muito menos a ti, eu sou o espectro, eu sou o vapor, eu sou o sol, a lua, o amor... eu sou além do que já fui, eu sou além do que a vida quis que eu fosse, eu sou além daquilo que sou.
Não sou mais carcaça, não sou mais casulo, não sou mais metáfase, muito menos me trasnformei em uma transcriptase reversa ambulante. Não vim para codificar ninguém, nem a mim mesmo, pois a isso não há uso e nem desuso, é tudo fútil e muito perto do plano ocular. Eu vim para a dialética com o que quiser dialogar, eu vim para ficar, mas não aqui, não aqui nesse lugar, pois não sou daqui sou de além, sou mais, sou menos, sou insignifcante, massa desprezível, sou uma camada distante demais do núcleo e não sofro nenhuma influencia, muito menos influencio outras camadas.
Sou um poeta, sou um profeta, sou o que serei amanhã, sou o que jamais serei a vida inteira, pois dois dias não se repetem e um mês não forma um ano, assim como um ano não forma uma vida inteira, assim como um inteiro é o nada, e a parte pode muito bem ser o inteiro. O que eu vejo é meu, o que eu toco é de todos, o que eu desejo é um sonho, é um real, é o utópico, pois agora me sinto indeciso, pois preciso cada vez mais do ideal para voltar a sonhar com o real, pois ninguém mais parece real e só eu pareço além. Não percebem a tristeza de estar só, não percebem a tristeza de permanecerem na linha de chegada, no mesmo plano, no horizonte sem dono.