Eu me despi de minha alma, pois estava cansado de estar preso sempre a uma medalha, de bronze, prata ou ouro, estava cansado de ter que ocupar um lugar no plano. Simplesmente me mudei para o espaço, tomei uma forma como fórmula imutável de me transferir boas novas, pois percebi que me valhe mais me desprender dos mitos e das cópias, percebi pensando sobre o pensado que as vezes pensar machuca e que as vezes, pensar é libertador, e ao mesmo tempo me acorrenta ao vácuo, o meu vazio particular.
Me alojo aqui, no fundo do meu vácuo e no inicio do meu despertar para fora de uma caverna ou de um prédio, dirigindo meu carro e trajando minhas roupas sujas de cinzas dos tragos infinitos. Afirmo que aqui fora é o mesmo de dentro, pois ainda me prendo a algo que faz questão de me prender, aqui as idéias alheias ainda são vivas. Não fui eu que implantei esse espaço, por isso rasgo meu rosto, deixo minhas roupas em chama, me despeço de meus ossos, mordo minhas veias e entorto meus dedos, pois aqui eu sou uma alma sem cor, sem valor, sem nada que me impeça de ser mais, sem nada que impeça de sonhar e me faça ser imutável.
Não entendo, as vezes , simplesmente não entendo...