Não há resposta, não há mais nada além do vazio, eu apenas continuo gritando para o vácuo e isso cansa, até mesmo por ser culpa minha. Cansa tanto que envelheci vinte anos em uma semana, e um dia é muito pouco para discernir o que se passa em vinte quatro horas, além do mais, estou cansando do peso que me é jogado nas costas.
É dificil conciliar as coisas, não há como amar um vácuo quando se precisa de algo para se ancorar nas horas mais dificeis. Continuo cambaleante e desacreditado da minha própria cruz, pois não vejo significado, apenas sinto o peso e a vertente da dor, diferente de todas que já havia sentido. Não é fácil continuar assim, nem pretendo sequer continuar tentando, cansei de me enterrar sempre a cada palavra, cansei de me sublinhar, quando isso devia ser claro, cansei de me substituir por alguém que lhe faça mais jus, talvez eu não tenha feito o suficiente por ti, nem por mim.
A verdade é que a cada dia eu me desgasto o máximo que consigo, me destruo por terceiros, me estrago por segundos e me mato por mim mesmo. Fico sempre com a menor porção do meu próprio sangue, por isso não destilarei mais o mesmo para fluir à outras pessoas. Apesar de parecer, não estou chateado com ninguém, mas comigo mesmo, que me substituo sempre que tenho a oportunidade, que me menosprezo para ter um valor para outro alguém, para parecer um escravo e por isso talvez valer um quinhão das mãos alheias.
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