domingo, 19 de julho de 2009

Tick Of Time

Me sinto um exilado, longe de quem amo. Ainda em um lugar alegre, o tom das ruas e das pequenas aventuras se tornam preto e branco como um filme cult sem graça. Espero-lhe cada vez mais, meu sopro de vida, minha esperança colorida. Meu desejo controverso, qual faz eu me sentir livre no aperto dos seus braços, qual faz-me tão desesperado de desejos insaciáveis, me deixa convicto de que alguém me ama, mas ainda faz perguntar-me o que fiz para merecer tal amor.
Tenho-me com dúvidas de que sou meu, me preservo com medo de não lhe demonstrar amor. Ainda que seja muito cedo e muito rápido, eu preciso lhe ter na manhã, na tarde e na noite. Preciso lhe ter quando o manto negro da noite cegar-me os olhos, quando os batimentos do meu coração, que feito um tambor clama por ti, até mesmo quando tais batimentos me ensurdecerem, lhe precisarei, pois ainda não serei tomado pela falta de sentimentos nem da capacidade de lhe amar.
Ai meus devaneios... começo a temer serem apenas histórias em folhas secas, um sonho que mantenho vivo, para me manter vivo. Até quando percebo que já não tenho tanta certeza de que estou vivo, de que estou tão ciente da minha existência quanto estou da sua. Quando vejo que meus dedos não tocam mais as folhas, muito menos as penas e a tinta, tomo-me conta de que não pertenço mais a este plano, e de que tudo era real.
Agora vejo que te amo, e sou capaz de amar, vejo que mesmo longe, em outro plano, em outra vida, ainda consigo te amar ou tentar amar em todos os possíveis.