Hoje os timbres das tristes guitarras vieram mais cedo do meu velho tocador de CDs, gosto deles, não deixam enganar-me, usufruir minhas mentiras. Levantei-me, não precisava escrever carta para ninguém, talvez se precisasse não escreveria do mesmo jeito, deixaria como sempre foi, o interesse afundado no copo de tristeza , foi assim que consegui tal destreza para dizer nunca, adeus, tchau. Eu nunca esperei de você, meu amor, algo que pudesse me segurar aqui. Ei, não finja se sentir assim, você pode suportar, agora você pode voltar ao seu lugar, e fingir se importar onde eu vou estar, sempre foi assim amor, se escondia na sombra em pleno meio-dia, ah, eu não só vi como presenciei. Não pense também que essa é a razão para este dia terminar assim, uma razão tão fútil, sem explicação útil, que lhe agrade, que se encaixe nos seus planos, nenhuma dessas lhe darei, não entenderia, nem mesmo se tentasse explicar, com uma carta, ou como tentei com aquele olhar.
Anoiteceu finalmente, a lua não veio hoje me acobertar, não quis sujar as mãos, presenciar o fato e se calar. O criado-mudo, tomou voz, me seduzia cada vez mais a tomar a iniciativa, quando na verdade nem precisava, a decisão não cabia a ele, além do mais já estava tomada, não creio que compreenda, nem peço que entenda, mas a decisão que tomei, já não era surpresa para minha alma, nem meu corpo, já estavam cansados, saturados, e pouco contrastados, a cada dia que se passava voavam um pouco mais rumo ao rendimento para a solidão que me designaram. Enfim, parei de dar ouvidos ao criado, dei ouvidos ao meu ultimo pedido carnal, os meus reflexos nos talheres me nocauteavam toda hora, acho que se juntaram a solidão que me rodeava, a qual as luzes das velas torneavam e enfatizavam que estava estritamente só, na cena do crime.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Fuck The World
O tempo se foi, mas o que restou nos escombros me mata, maltrata-me a alma, desfaz-me o sonho, no entanto permaneço em pé, permaneço aqui, sombreado pelo céu amarelado, o azul desce para o chão me contrasta com a tristeza de ser, estar, só. É... hoje, no dia épico da minha vida, travo a minha última batalha, contra eu mesmo e nem sei se posso vencê-la, ah meu amor, hoje suspiro de dor, sinônimo do amor que me deu, em verdade lhe digo, hoje de manhã pude sentir o desfecho do dia, por isso deitei em minha cama mais uma vez, a ultima vez, esperando, o sol bater em minha cara, acordando-me junto com o cheiro forte do café quente no meu criado mudo, que suportou tantas histórias, grande ouvinte, porém pouco conselheiro, tomava voz apenas nos dias mais sombrios, quando a lua invadia pela janela iluminando-me por sobre os ombros, despindo-me da insanidade, guiada pelas estrelas, na sinfonia da loucura, me despia cada vez mais, sempre me acobertando dos medos, e das moças que ali deitavam também.